Giro do dia — 6 de agosto
A quarta-feira trouxe um aviso pro bolso de quem ainda vai comprar fertilizante pra 26/27: a Mosaic prevê queda de 30% no uso de fosfatados no Brasil, com risco direto pra produtividade da próxima safra. Do lado das commodities, o café disparou em Nova York e Londres e a arroba do boi subiu na B3 com a virada do ciclo pecuário. Mas nem tudo foi alta: a BMG Foods pediu recuperação judicial com R$ 3,5 bilhões em dívidas, sinal de que o crédito caro também aperta quem está mais adiante na cadeia. Separei os detalhes abaixo.
Três insumos concentram metade da economia possível no milho
Quando o produtor de milho safrinha decide por onde começar a cotação, a resposta não está espalhada em dezenas de itens da lista de compra. Está concentrada em só três.
Levantamento da Aegro mostra que Soberan, Fox Xpro e Engeo Pleno S respondem por quase metade de toda a economia possível numa lavoura de milho: R$ 201, R$ 127 e R$ 116 por hectare, respectivamente, somando R$ 444 por hectare — 23%, 14% e 13% do ganho total disponível, cada um. Numa fazenda de 1.000 hectares, isso equivale a R$ 444 mil só nesses três produtos, sem trocar de fornecedor nem de marca, apenas fechando no momento e no preço certos.
Quem tem pouco tempo pra rodar cotação antes do plantio da safrinha sai ganhando ao priorizar essa lista curta: cotar Soberan, Fox Xpro e Engeo Pleno S primeiro garante mais da metade do ganho possível, mesmo sem revisar item por item da lista completa.
Fertilizante mais caro, café dispara, boi vira o ciclo
O fertilizante voltou ao radar de quem já pensa na safra 26/27. A Mosaic estima queda de 30% no uso de fosfatados no Brasil este ano, atrás do mesmo movimento visto nos Estados Unidos, que teve recuo de 15% na safra passada e projeção de mais 20% pra baixo. Menos fosfato aplicado tende a pesar direto na produtividade da próxima colheita, não só no bolso de quem compra. Quem ainda não fechou o pacote de adubação da 26/27 ganha um motivo extra pra negociar cedo, antes que a oferta mais curta pese no preço.
O café fechou a quarta em alta firme em Nova York e Londres, com o robusta batendo a máxima da semana. O contrato de setembro em NY avançou 0,66%, a US$ 326,25, puxado pelo clima ainda incerto no Brasil e no Vietnã. Produtor com café pra vender essa safra encontra uma janela mais favorável do que a de poucos dias atrás, mesmo sem nenhuma mudança de oferta confirmada ainda.
Na pecuária, a quarta trouxe sinal de virada de ciclo: o abate de fêmeas deve recuar no segundo semestre, e isso já se refletiu na arroba do boi gordo, que subiu 0,61% na B3, a R$ 348,70 no contrato de agosto. Menos fêmea abatida hoje significa menos oferta de boi mais adiante, e quem trabalha com recria ou engorda pode usar esse dado pra repensar o timing de reposição.
Nem toda notícia de quarta foi positiva. A BMG Foods, frigorífico do grupo paraguaio Concepción, pediu recuperação judicial com R$ 3,5 bilhões em dívidas, resultado de aquisições financiadas a um custo de capital que não fechou a conta. É um lembrete de que crédito caro também aperta empresas mais adiante na cadeia da proteína animal, mesmo com a arroba em alta na ponta do produtor.
Terceiro autorizado já pode acessar o XML na devolução de NF-e
Autorizar o contador (ou outro terceiro) a baixar o XML de uma nota fiscal já era possível na emissão comum há tempos. Faltava a mesma trava se abrir também na devolução, quando a mercadoria volta pro fornecedor e a nota original precisa de contrapartida fiscal.
O Aegro fechou essa lacuna. Agora, ao emitir a nota de devolução, você pode autorizar o mesmo terceiro (ou um novo) a acessar o XML do documento, sem precisar reenviar arquivo por e-mail ou WhatsApp pro escritório de contabilidade.
Isso poupa uma etapa manual em cada devolução, comum quando um pedido de insumo chega errado ou fora da especificação. Quem já usa a autorização na emissão comum não precisa aprender nada novo: é o mesmo fluxo, agora valendo também pra devolução.
Sem nota fiscal, sem crédito tributário
Na Reforma, cada nota que falta é dinheiro deixado na mesa.
Exija NF-e de todo fornecedor: frete, manutenção, mão de obra terceirizada, serviço veterinário, combustível.
Sem comprovação digital, não existe crédito de IBS/CBS pra abater depois.
Revise a lista de fornecedores da fazenda e cobre nota de quem ainda manda recibo de papel.
Destaques Soja e Milho
Soja
O custo de fertilizante em alta chega na soja logo na entrada da safra 26/27: com a Mosaic projetando 30% menos fosfato aplicado no Brasil, quem ainda não fechou o pacote de adubação sente a pressão antes mesmo de decidir quanto plantar. No mercado, o CEPEA/ESALQ do Paraná recuou 0,46% na terça, a R$ 136,03 por saca (indicador de quarta ainda não tinha saído no horário da coleta). No físico, Rondonópolis e Primavera do Leste, no Mato Grosso, seguraram R$ 135,00 e R$ 130,00, e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, negociou a R$ 123,00. Quem vai comprar insumo pra próxima safra tem argumento pra fechar cedo, antes que a oferta mais curta de fosfato pese no preço final do pacote.
Milho
No milho, o mesmo aperto de fertilizante entra pela conta do custo por hectare: menos fosfato disponível empurra pra cima o gasto de quem ainda vai fechar a adubação da safrinha 2026. O CEPEA/ESALQ recuou 0,11% na terça, a R$ 65,17 por saca, e no físico Paranaguá pagou R$ 68,00, Campinas R$ 65,50 e Santos R$ 64,00. Lá fora, o contrato de setembro na CME também cedeu 2,09%, reforçando o clima de cautela.
Quem está no meio da rodada de cotação de insumo pra 26/27 ganha um motivo concreto pra acelerar: fechar fertilizante agora, com o custo já pressionado, tende a compensar mais do que esperar o mercado de grão definir direção.