Giro do dia — 4 de agosto
A segunda-feira fechou com a soja sustentada pela China, que ampliou a compra da safra americana 26/27 e já soma cerca de 80 navios dentro do acordo bilateral entre os dois países. O milho mandou um recado misto: demanda melhorando, mas futuro recuando na B3. Lá fora, o café despencou mais de 3% em Nova York, e por aqui o físico foi na direção oposta e subiu nas principais praças. Separei os detalhes e o que isso muda pra sua semana logo abaixo.
O parcelamento "sem juros" do 2,4-D tem juro sim
A Aegro segue de olho na dispersão de preço do 2,4-D entre fabricantes, e o próximo capítulo dessa história é sobre a forma de pagamento, não só sobre de quem você compra.
Na safra 25/26, o 2,4-D à vista saiu por R$ 18,27 por litro, com prazo mediano de 19 dias pra pagar. Quem parcelou pagou R$ 19,75, com prazo mediano de 191 dias. São 8,1% a mais pra financiar cerca de 172 dias extras, o que dá perto de 18% ao ano embutido no parcelamento "sem juros".
Antes de fechar o "sem juros" na próxima compra, peça pro fornecedor abrir a taxa implícita do prazo e compare com o custo do seu crédito hoje. Às vezes o desconto à vista, mesmo apertando o caixa no curto prazo, sai mais barato do que o parcelamento parece.
Café despenca lá fora, mas o físico brasileiro sobe
Lá fora, o café arábica despencou nesta segunda: queda de 3,45% em Nova York e 2,94% na B3. Por aqui, o efeito foi o oposto. Guaxupé pagou 1,13% a mais, Franca subiu 2,23% e Varginha avançou 1,12% nas principais praças de Minas Gerais e São Paulo. Quem vende café no físico brasileiro está numa realidade bem diferente da manchete internacional que fala em queda.
A China ampliou a compra de soja da nova safra americana 26/27 nesta segunda, com mais 488 mil toneladas negociadas e cerca de 80 navios já entregues dentro do acordo bilateral entre os dois países. Os contratos futuros em Chicago abriram a semana em alta puxados por essa demanda. Produtor que ainda não fechou contrato de exportação encontra um comprador mais ativo do que tinha na sexta-feira.
O milho manda um recado diferente. A demanda doméstica dá sinal de melhora, mas o contrato futuro de setembro recuou 0,29% na B3 nesta segunda. Sem uma direção clara entre os dois sinais, quem tem milho pra vender ainda espera um fechamento de terça mais consistente antes de decidir.
O Rio Grande do Sul entrou em alerta de inundação nesta segunda, com o Guaíba passando de 2,54 metros no Cais Mauá, enquanto uma onda de calor de até 42°C atinge nove estados do Centro-Norte do país. Quem trabalha nessas regiões faz bem em ajustar a rotina de campo antes que qualquer uma das duas frentes avance.
Máquina parada não precisa sujar seu custo
Trator vendido, implemento aposentado ou equipamento que saiu de operação não precisa continuar aparecendo nos seus lançamentos do dia a dia. No módulo Patrimônio do Aegro, dá pra arquivar qualquer máquina ou implemento que não está mais em uso.
Uma vez arquivado, o item some dos campos de novos lançamentos e para de distorcer os gráficos de custo por máquina, aqueles que você usa pra decidir se vale a pena manter ou trocar um equipamento.
Nada se perde no processo. O histórico completo continua salvo, e se precisar reativar a máquina mais adiante, basta desarquivar quando quiser.
A NF-e mudou em janeiro, mas a fiscalização de verdade começa agora
Desde 1º de janeiro deste ano, a nota fiscal eletrônica ganhou campos novos pra informar IBS e CBS em cada operação. Até julho, esses campos rodavam soltos, sem validação de verdade da Receita.
A partir de agosto isso muda: a fiscalização passa a valer, e quem tem sistema emissor desatualizado corre o risco de emitir nota errada ou travar o crédito de quem compra a sua produção.
A norma técnica por trás dessa mudança é a NT 2025.002-RTC, a mesma que embasa o marco de 3 de agosto sobre o qual falamos nas últimas edições.
Destaques Soja e Milho
No fechamento de sexta-feira, o CEPEA/ESALQ Paraná recuou 0,40% a R$ 137,27 por saca. No físico, Rio Verde (GO) subiu 0,83% a R$ 122,00, Ubiratã (PR) ficou estável em R$ 122,00 e o Oeste da Bahia cedeu 1,60% a R$ 131,25. Nesta segunda, porém, o cenário mudou de figura: a China ampliou a compra da soja americana da safra 26/27 em mais 488 mil toneladas, somando cerca de 80 navios dentro do acordo bilateral, e os contratos futuros em Chicago abriram a semana em alta. Em Mato Grosso, o IMEA já mostra Sorriso a R$ 122,40 e Rondonópolis a R$ 129,20 nesta segunda. Quem está com contrato de exportação pra fechar essa semana encontra um comprador mais disposto do que tinha na sexta, e vale reavaliar se trava agora ou espera o indicador CEPEA de hoje sair pra confirmar o tamanho do movimento.
O milho fechou a sexta com o CEPEA/ESALQ praticamente parado, recuo de 0,08% a R$ 65,25 por saca. Nesta segunda, a demanda doméstica deu sinal de melhora, mas o contrato futuro de setembro recuou 0,29% na B3, um sinal misto que ainda não aponta direção clara pra semana.
Os dois grãos entram na terça em situações opostas: a soja com um comprador mais forte batendo à porta, o milho ainda esperando um sinal que confirme pra que lado vai. Quem administra os dois na mesma fazenda ganha argumento pra segurar o milho mais um pouco enquanto negocia a soja com a demanda aquecida.